Numa conversa amena com um ex-aluno, que hoje é dono de uma loja de colchões, saiu essa história.

– Professor, estou muito feliz, feliz demais.

Por que?

– Estou vendendo muito colchão,

Colchão? Nossa, o que tem de vendedor de colchões nesse mundo, não está no gibi (pensei comigo).

E qual é o seu público? perguntei tentando adivinhar “o segredo” desse meu pequeno gafanhoto,

– É variado, de todas as classes, mas, preponderantemente da classe C. Certo dia, estava com o meu feirão de colchões em um shopping popular, quando vi um senhor com umas latinhas na mão. Tinha uns 65 anos e observava atentamente minha demonstração dos colchões.
Convidei-o a experimentar os colchões, peguei as latinhas dele e, disse, depois lhe devolvo.

Ele desconfiado falou: “Moço, só estou olhando, além disso, vou sujar seus colchões”.

Comentei com ele que não tinha problema, o mostruário estava ai para ser testado mesmo. Em 15 minutos, dei uma aula de colchões, falei das molas, da densidade, da estrutura, das fases de sono, em resumo, tudo o que tinha aprendido e estudado sobre o assunto, antes de querer vender colchões. Quando terminei, ele me perguntou, qual era o colchão mais em conta. Respondi para ele, não precisa comprar a minha explicação era porque vi sua curiosidade. Foi quando ele me disse: “na realidade, eu preciso de um colchão, estava vendo nas Casas e queria saber se os seus colchões eram mais baratos”. Resumindo a história, ele comprou um colchão intermediário, que o orçamento dele permitia comprar, porém, com muito mais qualidade e com um super desconto. Depois fiquei sabendo que era aposentado e que complementava a renda com as latinhas.

Não perguntei mais pro meu querido ex-aluno empreendedor, qual era o seu segredo de vendas.

O vendedor de colchões e o catador de latinhas.
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